Assistência técnica
O que faz um assistente técnico médico em uma perícia judicial?
Perito e assistente técnico não são a mesma coisa. Veja o que o assistente faz antes, durante e depois da perícia, e quando vale indicar um.
Por Dr. Caio Araujo de Lima · · 3 min de leitura
Em um processo que discute doença ocupacional, acidente ou incapacidade, a prova médica costuma decidir o resultado. Essa prova é produzida pelo perito judicial, um médico nomeado pelo juízo. As partes, porém, podem indicar um médico próprio para acompanhar esse trabalho: o assistente técnico.
A diferença entre os dois é o ponto de partida para entender o papel de cada um.
Perito judicial e assistente técnico
| Perito judicial | Assistente técnico | |
|---|---|---|
| Quem indica | O juízo | A parte (trabalhador ou empresa) |
| Papel | Examinar e responder aos quesitos com imparcialidade | Acompanhar tecnicamente a parte na produção da prova |
| Produto | Laudo pericial | Quesitos, parecer técnico, análise do laudo |
O assistente técnico não substitui o perito nem decide nada. O trabalho dele é garantir que a perícia enfrente os pontos médicos que importam para o caso e que o laudo seja lido com olhar técnico.
Antes da perícia
É a fase em que o assistente técnico costuma ser mais útil, e a mais esquecida.
- Análise pré-pericial. Leitura do processo, dos prontuários, exames, atestados, CAT e histórico de afastamentos. O objetivo é separar o que está documentado do que é apenas alegado.
- Quesitos. Com o caso estudado, os quesitos deixam de ser genéricos. Em vez de “o reclamante está incapaz?”, pergunta-se quais limitações foram observadas, com base em quais exames e para quais atividades da função.
- Documentos que faltam. Muitas vezes a análise revela que um exame, um prontuário ou um registro ocupacional importante não está nos autos. Ainda dá tempo de juntar.
Durante a perícia
Quando necessário, o assistente técnico acompanha o exame pericial. A presença serve para observar o método: quais exames físicos foram feitos, quais documentos o perito considerou, como a história ocupacional foi colhida. Esses detalhes nem sempre aparecem no laudo e fazem diferença depois.
Depois do laudo
Com o laudo apresentado, o trabalho passa a ser de análise crítica:
- A conclusão é coerente com a documentação dos autos?
- O exame descrito sustenta a conclusão?
- O laudo responde a todos os quesitos, ou há respostas evasivas?
- O nexo causal foi analisado com base nas atividades exercidas, ou apenas afirmado?
A partir dessa leitura, podem ser elaborados um parecer técnico, quesitos complementares para omissões e contradições, ou subsídios médicos para a manifestação do advogado.
Quando vale indicar um assistente técnico
Quanto antes, mais opções existem. Na prática, o assistente técnico faz diferença especialmente quando:
- a discussão envolve nexo causal ou concausa, e não apenas a existência da doença;
- há documentos médicos divergentes entre si;
- o caso envolve transtornos mentais ou doenças musculoesqueléticas, em que a relação com o trabalho costuma ser disputada;
- o laudo já foi apresentado e é desfavorável, e o prazo de manifestação está correndo.
Mesmo quando o laudo já saiu, uma análise técnica pode mostrar se há fundamento para quesitos complementares ou para uma manifestação sobre os aspectos médicos, ou se a conclusão do perito está bem sustentada, o que também é uma informação útil para a estratégia do caso.
- assistente técnico
- perícia médica
- quesitos
- laudo pericial